Capítulo Três – O Edifício Amaldiçoado
Alex conversou com os policiais que estavam na porta. Eles
asseguraram que o lugar estava vazio. Depois de nos identificar, fomos
liberados para entrar. Eu nem cheguei a olhar na cara do fardado, não queria
terminar a noite na delegacia outra vez.
Estava escuro lá dentro, apenas a iluminação pública e as luzes
dos giroflex adentravam as janelas quebradas do hall de entrada.
A energia amaldiçoada nos empurrava para o chão, então era
necessário um certo esforço para permanecer ali.
— Se prepara! — eu sussurrei olhando em volta.
Corri, saquei o punhal e parti três criaturas que se
aproximaram juntas. Desviei de outra que tentou me atacar com sua tromba
comprida, Alex a acertou com o machado. Elas se desfizeram. Alex também cuidou
de outras cheias de pernas feito aranhas que se aproximaram correndo.
— Ufa! — suspirei aliviada.
— O que está acontecendo? — Alex sussurrou. — Acabamos de
entrar no prédio e já estamos sendo atacados! Elas são fracas, não atacariam
logo de cara.
— Tem alguma coisa muito estranha acontecendo aqui – sussurrei.
Desabotoei o coldre, mas continuei com o punhal em punho. O
silêncio ainda era um grande aliado naquele momento.
Subimos rápido, entrávamos com cuidado em cada andar e tentávamos,
a todo custo, eliminar cada uma das criaturas sem fazer barulho. Apenas usando
estratégias e nossos artefatos enfeitiçados.
Quanto mais subíamos, mais fortes e assustadoras eram as
criaturas que encontrávamos. Porém, nada que não pudéssemos lidar. Eu só
pensava na “bolada” que iria cobrar por exorcizar um lugar tão amaldiçoado.
Porém, a ansiedade começou a incomodar, pois nós sabíamos
que tinha algo atraindo todos aqueles espíritos. Atraindo, inclusive, a nós
mesmos.
Nos andares acima, podíamos encontrar algo que talvez não
pudéssemos enfrentar. Mas quem falaria primeiro? Eu ou ele? Éramos como
mariposas voando em direção à armadilha e o pagamento gordo era a isca.
Foi então que, no décimo primeiro andar, ouvimos gritos. O
timbre mostrava que eram crianças.
— Aquele filho da puta! — rosnei. — Ninguém relatou sobre
supostos reféns no local.
— Aumentou drasticamente o nível de risco da nossa tabela.
— Eu vou cobrar caro pra caralho! Quero ver ele não pagar —
tirei o revólver do coldre e o engatilhei.
Olhamos um para o outro, eu meneei a cabeça, depois entramos
no andar. Andamos com nossas armas em punho pelo corredor escuro, atentos com o
que havia ao redor.
***
Um bebê nos pegou de surpresa quando saiu chorando de um
dos apartamentos. Mirei por um segundo, então, me acalmei ao ver os passinhos
desordenados do pequeno e guardei a arma. Ajoelhei e agarrei o bebê com um
abraço. Com ele no colo, tentei acalmá-lo. Depois, mais duas crianças saíram do
mesmo apartamento.
— Tem um monstro engolindo a minha mãe — chorou uma delas.
Eu e Alex nos entreolhamos. Confirmei que entraríamos com
um gesto. Então entreguei o bebê para a garota mais velha.
— Esperem aqui! — eu pedi com firmeza. As crianças
consentiram.
Mais uma vez saquei o revólver. Alex ostentava seu machado.
Ambos corremos para o apartamento preparados.
Duas lacraias gigantes se alimentavam. Uma pessoa já tinha
sido devorada. Mas uma mulher estava a ponto de passar pela garganta de uma das
criaturas quando atirei, a bala perfurou o espírito. Eu estalei os dedos da mão
esquerda e o projétil explodiu a criatura ao meio. Alex foi rápido para tirar a
mulher da boca daquilo, como se ele soubesse o que eu ia fazer. Dei mais um
tiro na cabeça dela e acabei com a criatura permanentemente.
O segundo monstro não se mostrou satisfeito com a pessoa
que já tinha engolido, veio por cima de mim com a bocarra aberta.
— Sinto muito, sua merda, mas essa bruxa aqui não é pro teu
bico!
Rapidamente, cai em meus joelhos e me deitei com a arma mirada na goela dela, foram dois tiros que fez o bicho recuar.
Levantei-me sorrindo.
— Vai ser bom ver essa coisa morrer. Criatura odiosa!
Estalei os dedos da mão esquerda mais uma vez. Os projeteis
explodiram fazendo um estrondo e a criatura desaparecer.
Mal tivemos tempo de apreciar aquele exorcismo quando senti
um arrepio na nuca.
— Moça, me dá um reaaalll!
O gemido veio por trás. Quando me virei, outra criatura
horrenda se aproximava. Ela tinha vários olhos que viravam para lados opostos. Eu
estava muito próxima dela, daria um jeito, como sempre, mas o machado de Alex
interveio antes. A arma simplesmente voou a milímetros do meu rosto, acertou a
criatura no alvo, ela foi exorcizada na hora. Sorri aliviada para Alex. Todo
aquele treinamento, que a princípio parecia sem sentido, mostrou eficácia. Fiquei
muito orgulhosa dele. Talvez eu deixasse ele me beijar na próxima tentativa.
Ele, pelo contrário, não esboçou uma boa reação. Continuou
sério quando pegou o machado de volta. Ele tinha razão, não existia motivo para
sorrir naquele momento. Fomos rápido até a mulher sobrevivente. Ela estava toda
enlambuzada, porém viva.
— Coitada! — eu disse.
— Ela provavelmente nem sabe o que aconteceu. A maioria das
pessoas não conseguem ver as criaturas.
— Sim! — suspirei. — Uma das garotinhas conseguiu ver —
balbuciei ao lembrar da criança alertando sobre o monstro.
De repente, a mulher acordou do desmaio com um susto. Nós a
acalmamos e a levamos até a crianças que ficaram aliviadas ao vê-la. Todas elas
se uniram em um abraço.
— Vamos tirar elas daqui e abortar a missão — eu disse
enquanto recarregava a arma.
Dessa vez Alex não questionou. Era como se ele revivesse o
pesadelo do dia em que o conheci. Andamos rápido até as escadas escuras. Descemos
alguns degraus, quando um estrondo estremeceu o prédio. Eu e Alex voltamos de
imediato para olhar. Mais lacraias estouravam janelas e portas dos apartamentos.
Algumas gigantes, outras pequenas. Corriam furiosas em nossa direção.
Puxei Alex pela gola da camisa: — Corre com as crianças para
fora do prédio, eu seguro essas criaturas! — mandei.
— Não, senhora!
Ele não costumava a me desobedecer.
— Desce! — bradei. — Eu consigo dar conta. Depois encontro
vocês.
— Sim, senhora. Mas se a senhora não descer...
— Anda logo, sai daqui! — gritei quando o empurrei.
Depois que Alex ficou responsável pelos sobreviventes. Eu
me senti à vontade para lutar contra as criaturas que vinham em minha direção. Eu
estava disposta a acabar com cada uma delas. Então, corri, desejando
exorcizá-las rápido, ou pelo menos ganhar tempo para que todos pudessem sair
daquele lugar.
***
A energia do meu corpo aumentou a minha velocidade. Então
conseguia me esquivar e atacar. Desembestei pelo corredor, subi pelas paredes e
saltei entre as criaturas. Disparei em cada uma delas. Continuei correndo para
me afastar, então estalei os dedos. Deslizei pelo chão e girei. Voltei
correndo, adentrando a cortina de fogo causada pelas explosões, mas agora eu atacava
as criaturas menores usando o punhal. Quando enfim terminei, parei e tomei
fôlego. Logo abri o tambor do revólver para recarregá-lo.
“Caramba!” pensei.
Não costumava economizar na munição, mas dessa vez me
preocupava se tinha o suficiente para a grande quantidade de criaturas.
Andei rápido até as escadas. O incêndio tornou-se mais um
motivo para sair depressa daquele prédio. Pensava que talvez alcançasse Alex e
os outros na descida.
Entretanto, antes que eu pudesse alcançar as escadas, a
porta de um dos apartamentos explodiu e me arremessou para trás. Toda a
estrutura do prédio estremeceu.
— Ah, minhas costas! — resmunguei depois da queda violenta.
Mais uma criatura me atacou. Era imensa, rápida e feroz.
Com formato de um lagarto, olhos vermelhos esbugalhados. Ela me pegou com uma
das quatro garras e me jogou no chão. Mesmo me protegendo com a minha energia,
senti o impacto, por isso cuspi sangue. Ela me pegou mais uma vez, mas eu
decepei o dedo da criatura com o punhal e pulei para o chão.
Mal me equilibrei e o dedo da criatura já tinha se
regenerado. Ela era forte demais, eu não podia perder tempo. Corri o mais
rápido que pude na direção oposta a ela. Descarreguei a arma nela enquanto eu
fugia. Acertei os 6 tiros na cabeça. Um alvo daquele tamanho não tinha como
errar. As perfurações não fizeram diferença para a criatura. Foi então que
estalei os dedos. A explosão foi tão intensa que a criatura se desfez de
imediato, assim como parte daquele andar.
— Merda! — gritei.
Deveria ter previsto aquilo. Eu me preocupei com as pessoas
do lado de fora.
Mas eu consegui. Exorcizei uma das maiores criaturas que já
vi. Porém, resultou em uma cratera entre
mim e as escadas que levariam à saída. Não sabia o quanto aquilo poderia ter
afetado a estrutura geral do prédio. Ele poderia desmoronar. Eu tinha que me
mandar dali o mais rápido possível.
“Ah, sem tempo pra pensar!”
Aproveitei a adrenalina no sangue, peguei um bom impulso e
corri em direção ao outro lado. Coração batia tão rápido. Nunca tinha saltado
algo tão largo. Foi por pouco. Na queda escorreguei, mas segurei no que sobrou
da estrutura do outro lado da borda. E consegui subir.
“Sem tempo pra pensar!”
Enfim, alcancei as escadas, mas, ao chegar, eu tomei um
susto que me paralisou por um segundo. Uma criança estava observando dos
degraus que levavam ao andar superior. Não conseguia enxergá-la por inteiro, era
apenas uma silhueta.
Ela deu uma risadinha:
— Você é diferente dos outros, pois
é muito forte.
Gostaria de agradecer a você, meu leitor, por ter chegado até aqui. Obrigada pelo apoio. Espero que tenha gostado. Também gostaria de agradecer as leitoras Beta que leram antes que eu publicasse. Obrigada mãe e Samantha Winter pelo apoio. 🌹🌹
Por favor, conte para mim o que achou do capítulo, da escrita e das artes. Avise se encontrar algum erro ou se tiver alguma dúvida. Também aceito sugestões. Pode comentar aqui ou me chamar nas redes sociais.
Logo postarei o capítulo 4.
Até lá!
💋💋💋
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